quinta-feira, 10 de novembro de 2011

"NÃO É FUNÇÃO DA EMPRESA CONVENCER AS PESSOAS"

"Não é função da empresa convencer as pessoas", afirma Peter Senge
Em entrevista ao Administradores, o estrategista falou sobre a importância do aprendizado coletivo para o desenvolvimento das companhias
Reconhecido mundialmente como um dos principais nomes do pensamento estratégico, o norte-americano Peter Senge costuma se definir como um idealista pragmático. Na prática, há quem o defina como utópico, pecha que ele rebate relativizando: "depende do que se define como utópico", afirma. E emenda: "nem sempre, o utópico é o impossível".
- Veja aqui a cobertura completa da HSM ExpoManagement 2011
Autor do badalado livro "A quinta disciplina", Senge dedicou boa parte do seu trabalho ao estudo da aprendizagem dentro das companhias. Para ele, empresas que têm a capacidade de aprender continuamente e fomentar o aprendizado coletivo entre seus colaboradores conseguem mais resultados. E esse aprendizado, segundo ele, se dá a partir do engajamento de todos os níveis da hierarquia organizacional, com todos assumindo um compromisso com o trabalho em vez de, simplesmente, aceitarem uma ordem. E é justamente isso que alguns críticos apontam como utópico.
Para Senge, no entanto, isso é perfeitamente possível, desde que todos tenham consciência de que não cabe às companhias persuadir as equipes de nada. Aos líderes, compete a tarefa de dar meios para que todos analisem e se decidam pelo engajamento ou a mera aceitação. "Não é função da empresa convencer as pessoas. Bons administradores criam espaço e oportunidade para que as pessoas trabalhem juntas, de forma eficaz", afirma.
E o estrategista reforça que as pessoas tendem, sim, a ser simpáticas ao coletivo em detrimento do individual. "Seres humanos são seres sociais. Naturalmente, somos indivíduos também. Mas todo mundo sabe que seu bem estar depende das suas redes e da colaboração", afirma
E é, inclusive, na economia colaborativa (a chamada wikieconomia ou wikinomics) que Senge vê as melhores possibilidades de desenvolvimento do aprendizado em conjunto. "Quando você tem uma economia que requer cooperação, há o cenário ideal para ver como todos funcionam juntos", explica.
Nesse tipo de cenário, acredita Senge, é possível desenvolver melhor a capacidade de confiança no próximo, o que – para o aprendizado e crescimento em conjunto – é algo fundamental.
"Confiança é uma coisa complicada. Pode até parecer que na vida basta ser simpático com o colega e pronto, é assim que se convive. Mas é quando há uma relação de confiança real que nós podemos questionar um ao outro e empurrar o outro, levá-lo realmente a aprender", afirma Senge.
Em momentos de crise, então, tudo isso ganha um papel ainda mais importante, na visão do estrategista. "É ainda mais importante se desenvolver a colaboração", defende Senge. "Aprender e ter eficácia na colaboração é uma estratégia vital para sobreviver nas economias de hoje", afirma.

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